“Códigos de Manifestação”, da autoria de Cíntia Borges* e Rute Caldeira**, é uma obra concebida para quem procura aprofundar o autoconhecimento, fortalecer a ligação consigo próprio e criar mudanças conscientes na sua vida. Falamos com as autoras e, nesta entrevista ao MulheresEmViagem.pt, Cíntia e Rute explicam a quem é dirigido e o processo pessoal e artístico por detrás de “Códigos de Manifestação”.
Mais do que um simples livro de atividades, apresenta-se como uma experiência de reflexão, criatividade e desenvolvimento pessoal. Ao longo destas páginas, @ leitora(a) (para adultos e crianças!) é convidad@ a explorar novas possibilidades, libertando-se de padrões limitadores e aproximando-se da sua essência mais autêntica.
A proposta assenta numa jornada de descoberta interior, onde cada exercício funciona como uma oportunidade para ganhar clareza, reforçar a presença e alinhar intenções com ações concretas.
O livro reúne 33 mandalas para colorir, acompanhadas por 33 mensagens inspiradoras e questões cuidadosamente selecionadas para estimular a introspeção. Cada elemento foi pensado para promover momentos de pausa, consciência e conexão, incentivando uma observação mais profunda do momento presente e das escolhas que moldam o percurso individual.

Ao interagir com as mandalas e os conteúdos propostos, o leitor é encorajado a despertar a sua criatividade natural, a observar o seu universo interno com maior atenção e a abrir espaço para novas perspetivas. Mais do que uma atividade artística, esta experiência procura apoiar processos de crescimento pessoal, expansão da consciência e desenvolvimento de uma relação mais equilibrada consigo próprio.
Assinado por Cíntia Borges e Rute Caldeira, duas autoras reconhecidas pelo seu trabalho nas áreas do desenvolvimento humano, da criatividade, da meditação e da transformação pessoal, “Códigos de Manifestação”, da Porto Editora, é um recurso para quem deseja cultivar uma vida mais alinhada com os seus valores, intenções e propósito.
Este livro convida cada pessoa a avançar ao seu próprio ritmo, explorando o poder da reflexão, da expressão criativa e da intenção consciente. Uma leitura que inspira a descobrir novas formas de pensar, sentir e agir, transformando pequenos momentos de presença em oportunidades reais de crescimento e evolução.

Entrevista às autoras do livro “Códigos de Manifestação”
MulheresEmViagem.pt: Para quem é este livro?
Autoras: Este livro é para todos aqueles que desejam conectar-se com a meditação de uma forma simples e eficaz, percebendo, através da utilização de mandalas, que, afinal, não é assim tão difícil estar presente em si. A arte é uma das formas naturais de se alcançar isto.
Este livro pode ser utilizado por miúdos e graúdos. Consideramos ser extremamente uma mais-valia uma criança começar, desde cedo, a perceber que a forma como ela pensa e vibra impacta tudo o resto e como ela tem, inclusive, a opção de escolher como pensar e, por consequência, como se sentir.
Portanto, todos os que desejam trabalhar o foco, a intenção e consideram ser difícil, este livro é a prova de que pode ser não só simples como divertido.
MulheresEmViagem.pt: Qual o seu objetivo?
Autoras: O objetivo deste livro é criar um espaço de presença, foco e autoconsciência. Sabemos hoje, através da neurociência, que o cérebro possui uma enorme capacidade de adaptação, conhecida como neuroplasticidade. Quando direcionamos a nossa atenção de forma consciente e repetida para determinados pensamentos, emoções e intenções, fortalecemos redes neurais associadas a essas experiências e criamos novas possibilidades de perceção e resposta.
Foi precisamente por isso que não quisemos criar apenas um livro de mandalas. As mandalas ajudam a desacelerar, a promover estados de atenção plena e a reduzir o ruído mental. Mas quisemos ir mais longe. Os mantras funcionam como âncoras intencionais para o pensamento, enquanto as perguntas convidam a uma reflexão profunda, permitindo à pessoa identificar crenças, padrões e condicionamentos que, muitas vezes, operam de forma automática e inconsciente.
Acreditamos que a verdadeira transformação começa quando ganhamos consciência do que está a dirigir as nossas escolhas.
Ao desenvolver essa consciência, ampliamos a nossa capacidade de escolher de forma diferente e, consequentemente, de agir de forma diferente. E quando mudamos a forma como pensamos, sentimos e agimos, começamos naturalmente a criar resultados diferentes na nossa vida.
MulheresEmViagem.pt: Como surgiu a ideia?
Autoras: A ideia surgiu há uns anos, quando começámos a trabalhar juntas. Sentimos imensa vontade de criar um conjunto para colorir com Mandalas desenhadas pela Cíntia e Mantras criados pela Rute.
No entanto, outros projetos foram ganhando vida, quer individualmente quer em parceria, e nunca mais nos lembrámos daquele. Nunca contámos a ninguém.
No ano passado, recebemos o convite da Albatroz para criarmos um livro exatamente como tínhamos sonhado. Acreditamos muito que os sonhos nos sonham. Este livro quis vir à matéria através de nós.

MulheresEmViagem.pt: Porquê 33 mandalas e mantras?
Autoras: Ao longo da história, os números sempre carregaram uma dimensão simbólica. O número 3, por exemplo, está associado à criação, à expressão e à integração. Encontramo-lo repetidamente em diferentes tradições, filosofias e até na própria natureza: início, meio e fim; corpo, mente e espírito; passado, presente e futuro.
O 33 amplifica essa energia. É visto em várias correntes simbólicas como um número de consciência, maturidade e transformação. Para nós, representa o encontro entre o autoconhecimento e a manifestação consciente da vida que desejamos criar.
Por isso, este livro não tem 33 mandalas por acaso. Cada mandala, cada mantra e cada pergunta representam uma etapa de uma viagem interior. Juntas, formam um percurso completo que convida o leitor a olhar para dentro, a reconhecer os seus padrões e a abrir espaço para novas possibilidades.
Mais do que uma escolha numérica, o 33 tornou-se parte da alma do próprio livro. Trouxe-lhe uma estrutura, um ritmo e um simbolismo que sentimos estar profundamente alinhado com a experiência que queríamos proporcionar, além de estar profundamente sintonizado com sinais, experiências e acontecimentos repletos de fé e milagres na vida de ambas.
MulheresEmViagem.pt: Que tipo de introspecção é feita neste livro?
Rute Caldeira: A introspeção proposta neste livro não procura que a pessoa encontre respostas rápidas. Procura que ela desenvolva uma relação mais consciente consigo própria.
Cada mandala convida a desacelerar e a entrar num estado de maior presença. Nesse espaço de quietude, os mantras ajudam a direcionar a atenção para uma intenção específica, enquanto as perguntas funcionam como espelhos que revelam pensamentos, crenças, emoções e padrões que muitas vezes atuam de forma automática no nosso dia a dia.
É uma introspeção que combina reflexão e experiência. Não se trata apenas de pensar sobre a vida, mas de observar como estamos a viver, o que estamos a alimentar internamente e se isso está alinhado com aquilo que verdadeiramente desejamos manifestar.
De forma apaixonante, divertida e cativante, o livro convida cada pessoa a passar da reação à consciência e da repetição à escolha.

MulheresEmViagem.pt: A inspiração das mandalas, de onde vem?
Cíntia Borges: As Mandalas deste livro foram criadas a partir das afirmações que as acompanham. A Rute criou os Mantras, tendo como base o tema do livro: a manifestação. Sempre que contactava com a frase, automaticamente surgiam imagens dentro de mim. Um novo mundo se abria. A partir daí, o processo criativo desenrolava-se naturalmente.
Acredito muito que @ leitor(a), ao contactar com cada Mandala também despertará novos mundos internos, uma vez que cada uma encerra em si mesma um código, uma chave de acesso ao inconsciente, ao que está dormente e esquecido no porão da nossa mente e, sem saber, comanda a sua vida.
Quando acedemos a novas imagens, há algo de muito mágico que acontece: redesenhamos a nossa Vida. Por vezes, isso acontece de forma tão simples como um impulso que nos chega através de uma frase e ou imagem.
Por isso, este livro é um portal vivo que convida ao novo.
MulheresEmViagem.pt: Há uma convite à meditação e preparação do local onde estamos antes de respondermos a questões. Vocês responderam às questões? Tiveram surpresas nas vossas próprias respostas?
Rute Caldeira: Houve um cuidado muito grande na formulação de cada pergunta. Não queríamos perguntas que sugerissem uma resposta, nem perguntas que partissem do pressuposto de que existe sempre um problema para resolver ou uma falha para corrigir. Muitas abordagens de desenvolvimento pessoal focam-se excessivamente no que falta, no que está bloqueado ou no que precisa de ser melhorado. Nós quisemos criar algo diferente.
As perguntas deste livro foram pensadas para expandir a consciência e abrir possibilidades. Por vezes, a maior descoberta não é perceber aquilo que nos limita, mas sim reconhecer os recursos, as capacidades e a sabedoria que já existem dentro de nós e que, por alguma razão, deixámos de ver.
Fomos respondendo a todas as perguntas durante o processo de criação. Aliás, era importante fazê-lo para que o convite aos leitores viesse de um lugar de total consciência dos resultados que traríamos a quem se entregasse a este livro.
E, sim, tive surpresas nas minhas respostas. Acredito que isso acontece sempre que nos dispomos a responder com verdadeira presença e honestidade. Uma pergunta bem colocada tem o poder de iluminar partes de nós que permanecem invisíveis.
Costumo comparar este processo a um icebergue. A mente consciente é apenas a pequena parte que vemos à superfície. Mas é no subconsciente que vivem muitas das nossas crenças, emoções, memórias e padrões de comportamento.

MulheresEmViagem.pt: As mandalas foram todas feitas à mão?
Cíntia Borges: Sim. Todas feitas à mão. Desde a estrutura ao detalhe mais ínfimo que as compõe. Gosto de usar a régua, o transferidor, o compasso e as minhas canetas de eleição. Criar à mão torna o processo muito mais vivo e profundo, quer para mim, quer para quem mergulha através da Mandala.
Estamos numa era de muita informação cada vez mais padronizada e automatizada. A inteligência artificial, por exemplo, oferece-nos tudo num abrir e piscar de olhos. A verdade é que o que oferece não é novo. É mera automatização vinda de uma base de dados pré-existente.
Uma Mandala intuída internamente e criada exclusivamente por um Ser Humano é um centro vivo que ativa a tecnologia humana que só espera por ser desperta.
Este é mesmo um compromisso que tenho com as Pessoas que contactam com o meu trabalho: criar a partir e através da Alma. Só assim comunico verdadeiramente com a Alma das Pessoas.
MulheresEmViagem.pt: As mandalas já existiam ou foram feitas de propósito para o livro?
Cíntia Borges: Foram todas criadas de raiz em exclusivo para o livro. Ambas mergulhámos profundamente no tema da manifestação. Sinto que abrimos um portal, entrámos e, exatamente desde esse ponto, tudo nasceu na matéria.
Nem faria sentido ser de outra forma!
Não queríamos reunir Mandalas que estivessem dispersas na minha coleção pessoal, com temas e intenções diversificados. Queríamos concentrar todo o nosso foco e energia para ativar no leitor o tema a que nos propúnhamos.
Criar um livro com uma Alma tão viva merecia e necessitava do nível de entrega que lhe dedicámos.
O objetivo sempre foi potenciar @ leitor(a) o mais que conseguíssemos. Por isso, criámos absolutamente tudo de raiz sintonizadas com o que pretendíamos entregar e com a transformação que desejávamos que acontecesse.

QUEM SÃO AS AUTORAS?
*CÍNTIA BORGES
Licenciada em Língua e Cultura Portuguesas. Depois de um diagnóstico de TOC, dedicou-se ao estudo do funcionamento do cérebro. As mandalas surgiram espontaneamente nesse processo.
Hoje, dedica-se ao estudo do Ser Humano como um todo, unindo Psicologia Jungiana, Neurociência e Arteterapia. Desta fusão, nasce um serviço que ajuda as pessoas a despertarem a sua força criativa e intuitiva, vivendo uma vida mais plena.
www.mandalas.pt
@cintiaborges
Em 2021, Cintia Borges fez parte das Conversas do Confinamento do MulheresEmViagem.pt.
**RUTE CALDEIRA
É CEO da Escola SatyaDhyana, autora bestseller, a primeira professora Master em Meditação na Europa formada pela MAI, Master em Yoga e em Filosofia Milenar. Esta paixão tornou-a uma referência em Portugal, tendo já iniciado e ensinado milhares de alunos, assim como formado centenas de professores.
Licenciada em Comunicação Social e com mestrado em Comunicação, Organização e Novas Tecnologias, actualmente usa toda a sua experiência e conhecimento para suportar uma comunidade de alunos na sua prática regular, para formar professores e ainda para orientar uma comunidade de mulheres na área da Liderança.
Aqui, ajuda-as a desenvolver o potencial visionário através da meditação, técnicas de PNL, foco mental aguçado no que realmente as apaixona, conciliando e equilibrando a estrutura e ambição com a saúde e o bem-estar.
@rutecaldeira


